quarta-feira, 20 de maio de 2009
I. A COLEÇÃO DOS EVANGELHOS
Dá-se geralmente o nome de "Quatro Evangelhos" aos primeiros livros do Novo Testamento. Antes do século IV, todavia, a coleção era designada apenas pelo nome de "O Evangelho", distinguindo-se as diferentes formas por "segundo Mateus", "segundo Marcos", etc. Além do Evangelho escrito, recordado pelos quatro Evangelistas, havia ainda o Evangelho falado ou oral, a boa nova (euangelion) proclamada por Cristo e pelos discípulos. O emprego da palavra e seus derivados provém do verbo euangelizomai da Septuaginta nas seguintes passagens do Velho Testamento: #Is 40.9; #Is 52.7; #Is 61.1 (veja-se como Cristo aplicou a Si próprio este último texto-#Lc 4.18).
Irineu, bispo de Leão, na Gália, escrevendo cerca do ano 180, considera os quatro Evangelhos como um dos fatos mais incontestáveis do universo. "Assim como a terra consta de quatro continentes", -escreve o famoso bispo, -"assim como os ventos são quatro, assim também é natural que a Igreja Universal se baseie em quatro fortes colunas, que são os quatro Evangelhos".
Para assim falar tão categoricamente acerca do número dos Evangelhos, é porque no seu tempo e em todas as igrejas se admitiam esses quatro Evangelhos. Tal idéia, no entanto, levou tempo a concretizar-se, como é fácil verificar, ao traçar a história dos Evangelhos desde o tempo de Irineu até ao princípio do século II. O "Cânon Muratoriano" fala-nos do reconhecimento dos quatro Evangelhos pela Igreja Romana ainda no tempo de Irineu, o mesmo podendo dizer-se dos prólogos antimarcionitas aos Evangelhos escritos alguns anos antes. Taciano, cristão assírio, cerca do ano 170 formou dos quatro Evangelhos uma narrativa contínua ou "Harmonia dos Evangelhos", conhecida pelo nome de Diatessaron, e que durante muito tempo foi a versão siríaca favorita, embora não oficial, dos quatro Evangelhos que a Igreja da Assíria lia aos seus fiéis.
Taciano era discípulo do mártir Justino, em cujas obras se alude às "Memórias dos Apóstolos". Justino não fala de Mateus, Marcos ou Lucas, nem se refere a João como evangelista, mas é mais que certo ter utilizado todos os Evangelhos, referindo-se a Marcos como Memórias de Pedro, e revelando manifesta influência em toda a obra dos quatro Evangelhos, se bem que por vezes se note um ou outro apontamento talvez inspirado nos Evangelhos pseudônimos de Pedro ou de Tomé.
Enquanto Justino assim escrevia em Roma, publicava-se na Ásia Menor uma obra com o título "Epístola dos Apóstolos", que vem confirmar os quatro Evangelhos.
Em 1935 foram publicados pelo Museu Britânico fragmentos duma obra que se supõe ser um manual para instruir os crentes sobre a história dos Evangelhos. O que nos interessa sobremaneira, é que essa obra remonta à primeira metade do século II e deve ter sido composta por alguém que tinha ao lado os quatro Evangelhos, obra bem conhecida sua, que segue par e passo nas suas considerações.
Ainda da mesma época podemos citar outra obra de origem docética, o Evangelho de Pedro, escrito na Ásia na primeira década do século II, a demonstrar também que o autor possuía um conhecimento perfeito dos Evangelhos Sinópticos, e possivelmente também do Quarto Evangelho.
Nas primeiras décadas do mesmo século, Papias, bispo de Hierápolis, na Frígia, escreveu as suas Exposições dos Oráculos do Senhor em que se refere expressamente ao Evangelho de Marcos e à compilação das palavras do Senhor feita por Mateus.
Provavelmente teve presente a obra de Lucas e, se dermos crédito ao Prólogo ao quarto Evangelho antimarcionita, Papias falou de João ditando o seu Evangelho "ainda em vida", para que as Igrejas o conhecessem.
Eusébio, a cujas citações devemos quase todo o conhecimento que temos desta última obra de Papias, nada afirma das referências feitas por este autor acerca do Evangelho de João, mas salienta que Papias utilizou "testemunhos" (textos autênticos?) da primeira epístola de João; e em presença da profunda relação entre aquela Epístola e o Quarto Evangelho, é muito provável que Papias tivesse também conhecimento do Evangelho. Há razão, portanto, para pensarmos que o ajudou a divulgar e que por isso o reconheceram as igrejas da Ásia.
Já que nos é lícito provar a existência e o reconhecimento dos quatro Evangelhos nos primeiros anos do século II, nos é lícito também admitir, que as referências de Inácio (cerca de 110) ou da Didache ao "Evangelho", implicam, não um só Evangelho, mas a coleção dos quatro Evangelhos.
Em suma, é de supor que os quatro Evangelhos comecem a aparecer juntos, logo a seguir à publicação do Evangelho segundo João. Há um autor que supõe terem sido os mesmos coligidos, em Éfeso, quinze ou vinte anos após o aparecimento do Evangelho de João, de maneira que esta obra tivesse a mesma divulgação que os outros Evangelhos. Quanto a #Jo 21, julga-se que é um epílogo, que serve de conclusão ou remate aos quatro Evangelhos.
Seja como for, podemos ter a certeza de que a coleção dos quatro Evangelhos data de cerca do ano 100, data em que se forma uma outra grande coleção do Cânon do Novo Testamento-as Epístolas de Paulo.
quinta-feira, 26 de março de 2009
CRUÉIS TORMENTOS DOS CRENTES
"Alguns foram vestidos com peles de animais ferozes, e perseguidos pelos cães até serem mortos, outros foram crucificados; outros envolvidos em panos alcatroados, e depois incendiados ao pôr do sol, para que pudessem servir de luzes para iluminar a cidade durante a noite. Nero cedia os seus próprios jardins para essas execuções e apresentava, ao mesmo tempo, alguns jogos de circo, presenciando toda a cena vestido de carreiro, indo umas vezes a pé no meio da multidão, outras vendo o espetáculo do seu carro". Hegesipo, um escritor do II século, faz algumas referências interessantes sobre o apóstolo Tiago, que acabou a sua carreira durante esse período, e fornece um detalhado relatório do seu martírio, que podemos inserir aqui.
"Consta que o apóstolo tinha o nome de Oblias, que significava justiça e proteção, devido à sua grande piedade e dedicação pelo povo. Também se refere aos seus costumes austeros, que sem dúvida contribuíram para aumentar a sua fama entre o povo. Ele não bebia bebidas alcoólicas de qualidade alguma, nem tampouco comia carne. Só ele teve licença de entrar no santuário. Nunca vestiu roupa escolhendo ele aquela posição por se achar indigno de sofrer na mesma posição em que sofreu o seu Senhor. Paulo que sofreu no mesmo dia foi poupado a uma morte tão dolorosa e lenta, sendo degolado. "A estes santos apóstolos", acrescenta Clemente, "se ajuntaram muitos outros, que tendo da mesma maneira sofrido vários martírios e tormentos, motivados pela inveja dos outros, nos deixaram um glorioso exemplo.
"Pelos mesmos motivos, foram perseguidos, tanto mulheres como homens, e tendo sofrido castigos terríveis e cruéis, concluíram a carreira da sua fé com firmeza."
MORTE DE NERO
O miserável Nero morreu às suas próprias mãos, no ano 63, cheio de remorsos e de medo; depois da sua morte a igreja teve descanso por espaço de trinta anos. Contudo durante esse tempo Domiciano (que podia quase levar a palma a Nero, quanto à intolerância e crueldade) subiu ao trono; e depois de quatorze anos do seu reinado, rebentou a perseguição geral.
Tendo chegado aos ouvidos do imperador que alguém, descendente de Davi, e de quem se tinha dito: "Com vara de ferro regerá todas as nações", vivia na Judéia, fez com que se procedesse a investigação, e dois netos de Judas, o irmão do Senhor Jesus, foram presos e conduzidos à sua presença.
Quando ele, porém, olhou para as suas mãos, calosas e ásperas pelo trabalho, e viu que eram uns homens pobres, que esperavam por um reino celeste, e nada queriam saber do reino terrestre, despediu-os com desprezo. Diz-se que eles foram corajosos e fiéis em testemunhar a verdade perante o imperador, e que, quando voltaram para sua terra natal, foram recebidos com amizade e honras pelos irmãos.
PERSEGUIÇÃO A JOÃO
Pouco se sabe a respeito desta perseguição; mas esse pouco é sem dúvida interessante. E entre os muitos mártires que sofreram, encontra-se João, o discípulo amado de
Jesus, e Timóteo, a quem Paulo escreveu com tão afeiçoa-da solicitude. Diz a tradição que o primeiro foi lançado, por ordem do tirano, numa caldeira de azeite fervente mas, por um milagre, saiu de lá ileso. Incapaz de o ferir no corpo, o imperador desterrou-o para a ilha de Patmos, onde foi obrigado a trabalhar nas minas. Foi ali que ele escreveu o livro de Apocalipse, e teria sem dúvida terminado ali mesmo a sua vida, se não fosse a inesperada morte do imperador, assassinado pelo próprio administrador da sua casa, no dia 18 de Setembro de 96 d.C. Sendo então o apóstolo João posto em liberdade, voltou para Éfeso, onde escreveu a sua história do Evangelho e as três epístolas que têm o seu nome.
Parece que ali, como sempre, foi levado em toda a sua vida pelo amor, e quando morreu, na avançada idade de cem anos, deixou, como legado duradouro, este simples preceito: "Filhinhos, amai-vos uns aos outros". Frase simples esta, e pronunciada há muitos anos, mas qual de nós tem verdadeiramente aprendido o seu sentido?
ASSASSINATO DE TIMÓTEO
Timóteo sustentou virilmente a verdade, na mesma cidade, até o ano 97, em que foi morto pela turba numa festa idolatra. Muitos homens do povo, mascarados e armados de paus, dirigiam-se para os seus templos para oferecer sacrifícios aos deuses, quando este servo do Senhor os encontrou. Com o coração cheio de amor, encaminhou-se para eles, e lembrando-se talvez do exemplo de Paulo, que poucos anos antes tinha pregado aos idolatras de Atenas, falou-lhes também do Deus vivo e verdadeiro. Mas eles não fizeram caso do seu conselho, zangaram-se por serem reprovados e, caindo sobre ele com paus, bateram-lhe tão desapiedadamente, que expirou poucos dias depois.
E agora, lançando a vista por um momento para os tempos passados, encontram-se, de certo, na história destas primitivas perseguições, muitos exemplos para dar ânimo e coragem aos nossos corações. Em vista de tais sofrimentos, não se pode deixar de admirar o ânimo dos santos, e agradecer a Deus a graça pela qual eles puderam suportar tanto com tão sofredora paciência.
Nem a cruz, nem a espada nem os animais ferozes, nem a tortura, puderam prevalecer contra aqueles fiéis discípulos de Jesus Cristo. Quem os poderia separar do seu amor? Seria a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Não! Em todas essas coisas eles foram mais do que vencedores por meio daquele que os amou. Não lhes dissera o Senhor que deviam esperar tudo isso? Não tinha Ele dito aos seus discípulos, quando ainda estava entre eles: "No mundo ter eis aflições"? e não era bastante compensação para os seus sofrimentos, que duraram poucos anos, a brilhante esperança da glória eterna que Ele lhes tinha dado?
Depois de mais alguns anos, tanto perseguidores como perseguidos teriam deixado este mundo, e passado para a eternidade; então - que grande mudança! Para os primeiros, a escuridão das trevas para sempre; para os últimos, aquele "peso eterno de glória muito excelente". Que contraste!
RMENTOS DOS CRENTES
Não se sabe quantos sofreram por essa ocasião, mas de certo foram muitos, e eram-lhes aplicadas todas as torturas que um espírito engenhoso e cruel podia imaginar, para satisfazer os depravados gostos do imperador.
"Alguns foram vestidos com peles de animais ferozes, e perseguidos pelos cães até serem mortos, outros foram crucificados; outros envolvidos em panos alcatroados, e depois incendiados ao pôr do sol, para que pudessem servir de luzes para iluminar a cidade durante a noite. Nero cedia os seus próprios jardins para essas execuções e apresentava, ao mesmo tempo, alguns jogos de circo, presenciando toda a cena vestido de carreiro, indo umas vezes a pé no meio da multidão, outras vendo o espetáculo do seu carro". Hegesipo, um escritor do II século, faz algumas referências interessantes sobre o apóstolo Tiago, que acabou a sua carreira durante esse período, e fornece um detalhado relatório do seu martírio, que podemos inserir aqui.
"Consta que o apóstolo tinha o nome de Oblias, que significava justiça e proteção, devido à sua grande piedade e dedicação pelo povo. Também se refere aos seus costumes austeros, que sem dúvida contribuíram para aumentar a sua fama entre o povo. Ele não bebia bebidas alcoólicas de qualidade alguma, nem tampouco comia carne. Só ele teve licença de entrar no santuário. Nunca vestiu roupa escolhendo ele aquela posição por se achar indigno de sofrer na mesma posição em que sofreu o seu Senhor. Paulo que sofreu no mesmo dia foi poupado a uma morte tão dolorosa e lenta, sendo degolado. "A estes santos apóstolos", acrescenta Clemente, "se ajuntaram muitos outros, que tendo da mesma maneira sofrido vários martírios e tormentos, motivados pela inveja dos outros, nos deixaram um glorioso exemplo.
"Pelos mesmos motivos, foram perseguidos, tanto mulheres como homens, e tendo sofrido castigos terríveis e cruéis, concluíram a carreira da sua fé com firmeza."
MORTE DE NERO
O miserável Nero morreu às suas próprias mãos, no ano 63, cheio de remorsos e de medo; depois da sua morte a igreja teve descanso por espaço de trinta anos. Contudo durante esse tempo Domiciano (que podia quase levar a palma a Nero, quanto à intolerância e crueldade) subiu ao trono; e depois de quatorze anos do seu reinado, rebentou a perseguição geral.
Tendo chegado aos ouvidos do imperador que alguém, descendente de Davi, e de quem se tinha dito: "Com vara de ferro regerá todas as nações", vivia na Judéia, fez com que se procedesse a investigação, e dois netos de Judas, o irmão do Senhor Jesus, foram presos e conduzidos à sua presença.
Quando ele, porém, olhou para as suas mãos, calosas e ásperas pelo trabalho, e viu que eram uns homens pobres, que esperavam por um reino celeste, e nada queriam saber do reino terrestre, despediu-os com desprezo. Diz-se que eles foram corajosos e fiéis em testemunhar a verdade perante o imperador, e que, quando voltaram para sua terra natal, foram recebidos com amizade e honras pelos irmãos.
PERSEGUIÇÃO A JOÃO
Pouco se sabe a respeito desta perseguição; mas esse pouco é sem dúvida interessante. E entre os muitos mártires que sofreram, encontra-se João, o discípulo amado de
Jesus, e Timóteo, a quem Paulo escreveu com tão afeiçoa-da solicitude. Diz a tradição que o primeiro foi lançado, por ordem do tirano, numa caldeira de azeite fervente mas, por um milagre, saiu de lá ileso. Incapaz de o ferir no corpo, o imperador desterrou-o para a ilha de Patmos, onde foi obrigado a trabalhar nas minas. Foi ali que ele escreveu o livro de Apocalipse, e teria sem dúvida terminado ali mesmo a sua vida, se não fosse a inesperada morte do imperador, assassinado pelo próprio administrador da sua casa, no dia 18 de Setembro de 96 d.C. Sendo então o apóstolo João posto em liberdade, voltou para Éfeso, onde escreveu a sua história do Evangelho e as três epístolas que têm o seu nome.
Parece que ali, como sempre, foi levado em toda a sua vida pelo amor, e quando morreu, na avançada idade de cem anos, deixou, como legado duradouro, este simples preceito: "Filhinhos, amai-vos uns aos outros". Frase simples esta, e pronunciada há muitos anos, mas qual de nós tem verdadeiramente aprendido o seu sentido?
ASSASSINATO DE TIMÓTEO
Timóteo sustentou virilmente a verdade, na mesma cidade, até o ano 97, em que foi morto pela turba numa festa idolatra. Muitos homens do povo, mascarados e armados de paus, dirigiam-se para os seus templos para oferecer sacrifícios aos deuses, quando este servo do Senhor os encontrou. Com o coração cheio de amor, encaminhou-se para eles, e lembrando-se talvez do exemplo de Paulo, que poucos anos antes tinha pregado aos idolatras de Atenas, falou-lhes também do Deus vivo e verdadeiro. Mas eles não fizeram caso do seu conselho, zangaram-se por serem reprovados e, caindo sobre ele com paus, bateram-lhe tão desapiedadamente, que expirou poucos dias depois.
E agora, lançando a vista por um momento para os tempos passados, encontram-se, de certo, na história destas primitivas perseguições, muitos exemplos para dar ânimo e coragem aos nossos corações. Em vista de tais sofrimentos, não se pode deixar de admirar o ânimo dos santos, e agradecer a Deus a graça pela qual eles puderam suportar tanto com tão sofredora paciência.
Nem a cruz, nem a espada nem os animais ferozes, nem a tortura, puderam prevalecer contra aqueles fiéis discípulos de Jesus Cristo. Quem os poderia separar do seu amor? Seria a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Não! Em todas essas coisas eles foram mais do que vencedores por meio daquele que os amou. Não lhes dissera o Senhor que deviam esperar tudo isso? Não tinha Ele dito aos seus discípulos, quando ainda estava entre eles: "No mundo ter eis aflições"? e não era bastante compensação para os seus sofrimentos, que duraram poucos anos, a brilhante esperança da glória eterna que Ele lhes tinha dado?
Depois de mais alguns anos, tanto perseguidores como perseguidos teriam deixado este mundo, e passado para a eternidade; então - que grande mudança! Para os primeiros, a escuridão das trevas para sempre; para os últimos, aquele "peso eterno de glória muito excelente". Que contraste!
quarta-feira, 18 de março de 2009
Primeiro século da Era cristã
A história da Igreja de Deus tem sido sempre, desde a era apostólica até o presente, a história da graça divina no meio dos erros dos homens. Muitas vezes se tem dito isso, e qualquer pessoa que examine essa história com atenção não pode deixar de se convencer que assim é.
Lendo as Epístolas do Novo Testamento vemos que mesmo nos tempos apostólicos o erro se manifestou, e que a inimizade, as contendas, as iras, as brigas e as discórdias, com outros males, tinham apagado o amor no coração de muitos crentes verdadeiros.
Deixaram as suas primeiras obras e o seu primeiro amor e alguns que tinham principiado pelo espírito, procuravam depois ser aperfeiçoados pela carne.
Mas havia muito mais do que isso. Não somente existiam alguns verdadeiros crentes em cujas vidas se viam muitas irregularidades, e que procuravam, pelas suas palavras, atrair discípulos a si, como também havia outros que não eram de modo algum cristãos, mas que entraram despercebidamente entre os irmãos, semeando ali a discórdia. Isto descreve o estado de coisas a que se referem os primeiros versículos do capítulo dois de Apocalipse, na carta escrita ao anjo da igreja em Éfeso.
TEMPOS DE PERSEGUIÇÃO
Porém estava para chegar um tempo de perseguição para a Igreja, e isso foi permitido pelo Senhor, na sua graça, a fim de que se pudessem distinguir os fiéis.
Esta perseguição, instigada pelo imperador romano Nero, foi a primeira das dez perseguições gerais que continuaram, quase sem interrupção, durante três séculos.
"Por que razão permite Deus que o seu povo amado sofra assim?"Muitas vezes se tem feito esta pergunta, e a resposta é simples: é porque Ele ama esse povo. Podia haver, e sem dúvida há, outras razões, porém a principal é esta - Ele o ama. "Porque o Senhor corrige o que ama ' e se o coração se desviar, tornar-se-á necessária a disciplina.
Com que facilidade o mal se liga, mesmo ao melhor dos homens! Mas, na fornalha da aflição, a escória separa-se do metal precioso, sendo aquela consumida. Ainda mais, quando suportamos a correção de Deus, Ele nos trata como filhos; e se sofremos com paciência, cada provocação pela qual Ele nos faz passar dará em resultado mais uma bênção para a nossa alma. Tal experiência não nos é agradável, nem seria uma provocação se o fosse, porém, à noite de tristeza sucede a manhã de alegria, e dizemos com o salmista Davi: "Foi bom para mim, ter sofrido aflição".
PORQUE E QUE DEUS PERMITE A PERSEGUIÇÃO
Mas Deus permite, algumas vezes, que a malvadez leve o homem muito longe em perseguir os cristãos, a fim de ficar manifestado o que está no seu coração, e por isso não é de estranhar que na alma do cristão que não tem apreciado esta verdade se levantem dúvidas e dificuldades, e que comece a queixar-se de o caminho ser custoso, e da mão do opressor ser pesada sobre ele. 8
O Senhor porém não nos deixa na Terra para nós nos queixarmos das dificuldades, nem para recuarmos diante da ira dos homens: temos de servir ao Mestre e resistir ao inimigo, porém é somente quando estamos fortalecidos no Senhor e na força do seu poder que podemos prestar esse serviço, ou resistir efetivamente a esse inimigo.
Esta história pretende indicar quão dignamente se fez isto nos tempos passados, porém se quisermos compreender a maneira como Deus tem tratado o seu povo, sempre nos devemos lembrar de que a milícia cristã é diferente de qualquer outra, e que uma parte da sua resistência é o sofrer.
As armas da nossa milícia não são carnais, mas sim espirituais, e o cristão que se serve de armas carnais mostra sem dúvida que não aprecia o caráter do verdadeiro crente. Não pode ter apreciado com inteligência espiritual o caminho do seu Senhor, ou compreendido o sentido das suas palavras: "O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo pelejariam os meus servos".
A igreja militante é uma igreja que sofre, mas se empregar as armas carnais, deixa na verdade de combater.
No ousado e santo Estêvão temos um exemplo do verdadeiro crente militante. Foi ele o primeiro mártir cristão. E que grande vitória ele ganhou para a causa de Cristo quando morreu pedindo ao Senhor pelos seus perseguidores! Davi, séculos antes da era cristã, disse: "O justo se alegrará quando vir a vingança : lavará os seus pés no sangue do ímpio", porém Estêvão, que viveu na época cristã, orou:"Senhor, não lhes imputes este pecado". Isto foi um exemplo da verdadeira milícia cristã.
A primeira onda da perseguição geral que veio sobre a igreja fez-se sentir no ano 64, no reinado do imperador Ne-ro, que tinha governado já com uma certa tolerância durante nove anos.
Neste tempo, o assassinato de sua mãe, e a sua indiferença brutal depois de ter praticado aquele crime tão monstruoso, mostrou claramente a sua natural disposição, e indicou ao povo aquilo que havia de esperar dele. Desgraçadamente, as tristes apreensões que muitos tinham a seu respeito tornaram-se em negra realidade.
ROMA INCENDIADA
Uma noite no mês de julho, no ano acima citado, os habitantes de Roma foram despertados do sono pelo grito de "Fogo!" Esta terrível palavra fez-se ouvir simultaneamente em diversas partes da cidade, e dentro de poucas horas a majestosa capital ficou envolvida
O fogo continuou por espaço de nove dias, e Nero, por cujas ordens se tinha praticado este ato tão monstruoso, presenciou a cena da torre de Mecenas, onde manifestou o prazer que teve em ver a beleza do espetáculo, e, vestido como um ator, acompanhando-se com a música da sua lira, cantou o incêndio da antiga Tróia!
O grande ódio que lhe votaram em conseqüência deste ato, envergonhou-o e tornou-o receoso; e com a atividade que lhe deu a sua consciência desassossegada, logo achou o meio de se livrar dessa situação. O rápido desenvolvimento do cristianismo já tinha levantado muitos inimigos contra essa nova doutrina. Muita gente havia em Roma que estava interessada na sua supressão - por isso não podia haver nada mais oportuno, e ao mesmo tempo mais simples para Nero, do que lançar a culpa do crime sobre os inofensivos cristãos.
Tácito, um historiador pagão, que não era de modo algum favorável ao cristianismo, fala da conduta de Nero da seguinte maneira:
"Nem os seus esforços, nem a sua generosidade para com o povo, nem as suas ofertas aos deuses, podiam pagar a infame acusação que pesava sobre ele de ter ordenado que se lançasse fogo à cidade. Portanto, para pôr termo a este boato, culpou do crime, e infligiu os mais cruéis castigos, a uns homens... a quem o vulgo chamava cristãos", e acrescenta: "quem lhes deu esse nome foi Cristo, a quem Pôncio Pilatos, procurador do imperador Tibério, deu a morte durante o reinado deste.
"Esta superstição perniciosa, assim reprimida por algum tempo, rebentou de novo, e espalhou-se não só pela Judéia, onde o mal começara, mas também por Roma, para onde tudo quanto é mau na terra se encaminha e é praticado. Alguns que confessaram pertencer a essa seita foram os primeiros a ser presos; e em seguida, por informações destes prenderam mais uma grande multidão de pessoas, culpando-as, não tanto do crime de terem queimado Roma, mas de odiarem o gênero humano".
É quase escusado dizer que os cristãos não nutriam ó-dio algum pela humanidade, mas sim pela terrível idolatria que prevalecia em todo o Império Romano; e só por este motivo eram considerados como inimigos da raça humana.
CRUÉIS TORMENTOS DOS CRENTES
Não se sabe quantos sofreram por essa ocasião, mas de certo foram muitos, e eram-lhes aplicadas todas as torturas que um espírito engenhoso e cruel podia imaginar, para satisfazer os depravados gostos do imperador.
"Alguns foram vestidos com peles de animais ferozes, e perseguidos pelos cães até serem mortos, outros foram crucificados; outros envolvidos em panos alcatroados, e depois incendiados ao pôr do sol, para que pudessem servir de luzes para iluminar a cidade durante a noite. Nero cedia os seus próprios jardins para essas execuções e apresentava, ao mesmo tempo, alguns jogos de circo, presenciando toda a cena vestido de carreiro, indo umas vezes a pé no meio da multidão, outras vendo o espetáculo do seu carro". Hegesipo, um escritor do II século, faz algumas referências interessantes sobre o apóstolo Tiago, que acabou a sua carreira durante esse período, e fornece um detalhado relatório do seu martírio, que podemos inserir aqui.
"Consta que o apóstolo tinha o nome de Oblias, que significava justiça e proteção, devido à sua grande piedade e dedicação pelo povo. Também se refere aos seus costumes austeros, que sem dúvida contribuíram para aumentar a sua fama entre o povo. Ele não bebia bebidas alcoólicas de qualidade alguma, nem tampouco comia carne. Só ele teve licença de entrar no santuário. Nunca vestiu roupa escolhendo ele aquela posição por se achar indigno de sofrer na mesma posição em que sofreu o seu Senhor. Paulo que sofreu no mesmo dia foi poupado a uma morte tão dolorosa e lenta, sendo degolado. "A estes santos apóstolos", acrescenta Clemente, "se ajuntaram muitos outros, que tendo da mesma maneira sofrido vários martírios e tormentos, motivados pela inveja dos outros, nos deixaram um glorioso exemplo.
"Pelos mesmos motivos, foram perseguidos, tanto mulheres como homens, e tendo sofrido castigos terríveis e cruéis, concluíram a carreira da sua fé com firmeza."
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Em Efésios 1:10 e 3:9, a palavra oikonomia é usada para administração familiar, a qual é o plano de Deus para dispensar-se para dentro de Seu povo escolhido. Em Efésios 3:2, Colossenses 1:25 e 1 Coríntios 9:17 a mesma palavra refere-se ao mordomado de Paulo. A palavra mordomado é usada no sentido de dispensar. O mordomado de Paulo era o dispensar das riquezas insondáveis de Cristo para dentro do povo escolhido de Deus. Com Paulo, a palavra mordomado refere-se ao dispensar divino.
A palavra despenseiro é usada em 1 Pedro 4:10, que diz que todos nós precisamos ser bons despenseiros da multi-forme graça de Deus. A multiforme graça do rico Deus necessita de muitos despenseiros para dispensá-la; este dispensar é o mordomado deles.
O que estou fazendo neste ministério é dispensar as riquezas de Cristo. Se você me disser que sou um bom mestre da Bíblia, aprecio sua palavra, mas não gosto de ouvi-la. Não me considere um mestre! Sou um despenseiro! Não estou meramente ensinando a Bíblia; estou dispensando. Certa vez fui tomar uma injeção contra gripe. Havia uma longa fila de pessoas, e todos tínhamos de oferecer nosso braço de modo que pudéssemos tomar a injeção. Em meu ministério quero dar às pessoas uma injeção das riquezas de Cristo! Tenho a plena certeza de que quem quer que venha a este ministério, obterá tal injeção!
Nosso mordomado hoje é o mesmo de Paulo. O mordomado de Paulo era simplesmente aplicar uma injeção nas pessoas, isto é, distribuir, dispensar as riquezas insondáveis de Cristo para dentro do povo escolhido de Deus. Esta é a economia de Deus, Seu plano, Sua administração.
A ESCOLHA DE DEUS
Deus tem um bom prazer, e segundo o Seu bom prazer Ele fez um plano. Por conseguinte, Ele arranjou uma administração universal de Sua casa para dispensar Suas riquezas para dentro de Seu povo escolhido. Então nos selecionou, não somente antes de sermos criados, mas também antes da fundação do mundo (Ef 1:4; 1 Pe 1:1, 2). Nada de Sua criação tinha vindo ainda à existência quando Ele nos selecionou.
E difícil comprar coisas em um shopping center porque existem muitas coisas para escolher. As pessoas não compram cegamente; elas consideram e escolhem cuidadosamente o que comprarão. Na eternidade passada, antes de Sua criação, Deus me viu e disse: "Eu gosto deste." Sem ter sido escolhido, não creio que me teria tornado um cristão. Mesmo tendo nascido no cristianismo, eu não era um cristão até os dezenove anos. Fui educado dentro do cristianismo, mas ainda não cria. Entretanto, um dia Deus me tocou e disse: "Eu quero você." Naquele dia fui capturado. E quanto a vocês? Atrás do cenário há uma mão poderosa e eterna dirigindo todas as coisas. Nossa seleção é uma coisa maravilhosa.
Nosso Pai celestial fica alegre quando nos vê. Somos o desejo de Seu coração, Seu bom prazer. O prazer de Deus não está na lua, no sol, no céu ou na terra. Ele nos diz claramente em Sua Palavra que Ele não fica satisfeito apenas com a terra e o céu. O que O satisfaz é Seu povo escolhido. Somos Seu bom prazer, e Seu plano foi feito para nós.
SUA PREDESTINAÇÃO
Seguindo Sua escolha, Deus nos predestinou (Ef 1:5; Rm 8:30). A Nova Tradução Bíblica de Darby* traduz esta palavra "predestinados" em Efésios 1:5 como "marcados de antemão." Você já havia percebido que antes da fundação do mundo fora marcado? Você não pode escapar da mão de Deus. Tentei um bom número de vezes, mas nunca consegui! Quanto mais tentava, mais forte Ele me agarrava. Aonde você irá para escapar de Deus? Aonde quer que você vá, ali está Ele (SI 139:7-10). Algumas vezes pode ser que você tenha se aborrecido por vir às reuniões da igreja e decidiu ir a algum outro lugar. Quando chegou lá, o Senhor Jesus estava lhe esperando! Isso mostra que você foi marcado.
O PLANO DE DEUS
Leitura da Bíblia: Ef 1:4, 5, 9-11; 3:2, 8, 9, 11; Cl 1:25; 1 Co 9:17; 1 Pe 1:1,2; Rm 8:30; Gn 1:26a, 27; 2:7; Zc 12:1
A revelação divina nos sessenta e seis livros da Bíblia é extremamente profunda. Existem sete pontos básicos nesta revelação profunda. Os primeiros três pontos são o plano de Deus, a redenção de Cristo e a aplicação do Espírito. Esses três pontos envolvem a Trindade divina — Deus, Cristo e o Espírito. O que Deus planejou, Ele cumpriu pela redenção de Cristo. O que Ele cumpriu em Cristo, Ele aplica a nós por meio do Espírito. Os últimos quatro pontos são os crentes, a igreja, o reino e a consumação final e máxima, a Nova Jerusalém. Neste capítulo cobriremos o primeiro item da revelação básica na Bíblia — o plano de Deus.
O BOM PRAZER DE DEUS - O DESEJO DO SEU CORAÇÃO
A Bíblia revela claramente o plano de Deus. A maioria dos cristãos valorizam dois livros entre os escritos de Paulo — Romanos e Efésios. Romanos começa com a nossa condição como pecadores, gênero humano caído, mas Efésios inicia levando-nos para dentro do coração de Deus. Em Romanos 1 podemos ver a nossa condição de pecadores, mas em Efésios podemos ver que há alguma coisa no coração de Deus. A palavra beneplácito é usada duas vezes neste capítulo (vs. 5 e 9). Deus tem um beneplácito, e esse bom prazer é o desejo do Seu coração. Na eternidade passada Deus estava só. Não podemos imaginar como era a eternidade passada, mas Efésios 1 nos diz que antes da criação do universo Deus tinha um desejo no coração. Ele tinha um bom prazer. O que Ele queria pode ser expresso pela simples palavra "filiação" (1:5). Filiação é o desejo do coração de Deus.
Depois de Deus ter feito Adão, Ele disse que não era bom que o homem estivesse só (Gn 2:18). Esta palavra pode ser também aplicada a Deus na eternidade passada. Não era bom que Deus estivesse só. Ele tinha um desejo de gerar muitos filhos. Efésios 1 nos diz que Deus nos predestinou para a filiação. Muitos cristãos podem pensar que a predestinação de Deus é para a salvação; mas de acordo com Efésios, na eternidade passada o primeiro pensamento no coração de Deus não era salvação. Seu pensamento principal era a filiação. Deus preconhecia que Sua criação cairia. Por causa da queda, houve o plano de salvação, de modo que a salvação foi proposta para a filiação. O desejo de Deus é gerar muitos filhos.
Recentemente numa reunião de oração em Irving, Texas, vi três jovens. Ao olhar para a face deles, pude ver que eles eram os filhos de um certo irmão. Todos os três possuem uma forte semelhança com o pai; eles são a sua própria expressão.
Quanto mais filhos um pai tem, mais expressão ele tem. Romanos 8:29 nos diz que o Filho unigênito de Deus tornou-se o primogênito entre muitos irmãos. O Filho unigênito de Deus em João 1:18 e 3:16 tornou-se, por meio da ressurreição (At 13:33), o Filho primogênito. Primogênito implica que outros filhos vieram depois. Agora Deus não somente tem um Filho, mas muitos. O Filho primogênito de Deus, Cristo, tem milhões de irmãos. Ao longo destes vinte séculos muitos têm sido regenerados e, assim, têm-se tornado filhos de Deus. Todos esses filhos são os irmãos do primogênito Filho de Deus (Jo 20:17; Hb 2:10-12). Que filiação enorme!
Quando jovem, estive com alguns santos que conheciam muito bem a Bíblia. Eles enfatizavam a predestinação de Deus, mas nunca os ouvi dizer qual é o alvo da predestinação de Deus. Depois de muitos anos de estudo da Bíblia, vi que nós fomos predestinados para filiação. Subconscientemente eu pensava que éramos predestinados para salvação. Alguns diriam que fomos predestinados para os céus. Não é nem salvação nem os céus o alvo da predestinação de Deus; é a filiação (Ef 1:5).
A versão de João Ferreira de Almeida traduz essa palavra por "adoção de filhos", mas a palavra na língua original significa filiação. Ela não quer dizer filhos adotados por um pai, mas filhos nascidos diretamente de um pai gerador. O desejo do coração de Deus, então, é ter uma grande multidão de filhos que O expressem, não somente nesta era mas também pela eternidade.
O PROPÓSITO DE DEUS - SEU PLANO
Baseado no desejo do Seu coração, Deus estabeleceu um propósito (Ef 3:11). O propósito de Deus foi estabelecido de acordo com Seu bom prazer. Efésios 1:9 diz que Deus propôs Seu bom prazer. Isso significa que, de acordo com o que Ele desejava, Ele fez um plano. Desde que Deus tinha tal bom prazer, Ele fez um plano. Em Efésios 3:11 Paulo nos diz novamente que Deus fez um plano em Cristo, um plano eterno, um propósito eterno.
A ECONOMIA DE DEUS -SEU ARRANJO ADMINISTRATIVO
Economia é uma palavra aportuguesada do grego oikonomia. Ela significa a lei de uma casa, ou administração familiar. Em 1 Timóteo 1:4 essa palavra é usada para arranjo, plano, administração ou gerenciamento. No Velho Testamento a casa de Faraó necessitava de alguma administração familiar ou arranjo, e José foi colocado ali para tomar conta daquela administração. O que ele fazia era principalmente distribuir o rico alimento aos famintos (Gn 41:33-41, 54-57); e aquela distribuição era um dispensar. A administração da casa de Faraó foi uma economia levada a cabo para dispensar as riquezas ao povo. No Novo Testamento essa palavra é principalmente usada por Paulo. Mas a mesma palavra é usada pelo Senhor Jesus em Lucas 16:2-4, referindo-se ao mordomado de um despenseiro. José podia ser considerado como o despenseiro de Faraó, e sua responsabilidade, como sua economia. Aquela atribuição, seu mordomado, era para dispensar a rica comida que Faraó possuía para alimentar os famintos.
Sua Dispensação
Em Efésios, Paulo nos diz que ele foi designado por Deus como um despenseiro, e que, com isso, Deus deu-lhe a responsabilidade, o dever, o qual é chamado mordomado (3:2). A palavra grega para mordomado é a mesma palavra para dispensação. Quer seja ela traduzida por mordomado quer por dispensação, isso depende do contexto. Em Efésios 3:2, Paulo diz que Deus deu-lhe o mordomado da Sua graça. Então, a mesma palavra grega, oikonomia, é encontrada em 1:10 e 3:9, onde parece melhor traduzi-la por dispensação. Esta palavra "economia" denota principalmente um plano, uma administração, um gerenciamento, para dispensar as riquezas de uns para outros.
Paulo considerava que Deus tinha uma grande família para suprir com Suas riquezas. Em Efésios 3:8 ele diz que Deus o designou para pregar, ministrar, distribuir ou dispensar as riquezas insondáveis de Cristo. Essas riquezas estão na casa de Deus. Existe um depósito das riquezas insondáveis de Cristo, e Deus designou os apóstolos (Pedro, João, Tiago e Paulo) para serem despenseiros a fim de dispensar essas riquezas a todo o povo escolhido de Deus.
Mordomado é o mesmo que dispensar. José cumpriu seu mordomado dispensando comida. Sua responsabilidade, seu ofício, seu dever era distribuir a rica comida aos necessitados. Aquela distribuição era um dispensar.
Alguns mestres da Bíblia têm ensinado que existem sete dispensações na Bíblia. No Velho Testamento há as dispensações da inocência, consciência, governo humano, promessa e lei. Então, no Novo Testamento há a dispensação da graça nesta era e a dispensação do reino na era vindoura. Nessas sete dispensações, dizem eles, Deus trata com o homem de sete maneiras diferentes.
Isso pode estar correto, mas não se esqueçam que as dispensações são a administração familiar de Deus. Deus tem uma grande família, e nesta família Ele necessita de uma administração, um plano, um gerenciamento, para dispensar a Si mesmo para dentro de Sua família. O pensamento principal de Deus, desde a eternidade passada, era ter um arranjo ao longo das eras para dispensar-se para dentro de Seu povo escolhido e predestinado. A esses Ele faria Seus filhos infundindo-se para dentro deles para que pudessem ter a vida divina pelo novo nascimento.
Nas catorze epístolas de Paulo podemos ver que Deus tinha um bom prazer, de acordo com o qual Ele fez um plano, um propósito. Ele criou o homem à Sua própria imagem, e na plenitude dos tempos infundiu-se para dentro de todos aqueles criados e escolhidos para que eles pudessem tornar-se Seus filhos, expressando-O. Este é o plano de Deus e esta é a dispensação de Deus para o Seu dispensar.
Em português, as palavras dispensação e dispensar são ambas formas do verbo dispensar. Quando uso a palavra dispensação, quero dizer economia, arranjo ou gerenciamento. Mas, quando uso a palavra dispensar, quero dizer o distribuir das riquezas divinas para dentro do povo de Deus. Dispensação denota o arranjo, o gerenciamento, o plano, a economia. Dispensar refere-se ao distribuir do próprio Deus como vida e suprimento de vida para dentro de Seu povo escolhido em Cristo.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
NOVO HAMBURGO , RIO GRANDE DO SUL ,31,JANEIRO DE 2009
TEOLOGIA PROPRIA
POR
ALEXANDRE FRANCISCO REIS
Alexandre.Francisco.reis@gmail.com
TEOLOGIA PROPRA
INTRODUÇÃO
SÍNTESE DE TEOLOGIA PROPRIA : Teologia Própria é um termo teológico usado para se referir ao estudo específico de Deus, o Pai, desde uma perspectiva Cristã. Ainda que o termo "teologia" por si mesmo signifique "o estudo de Deus", ele usualmente significa um estudo genérico que inclui todas as outras "teologias", como Cristologia, Pneumatologia, etc. Teologia Própria focaliza sua atenção especificamente na primeira pessoa da Trindade, o Pai. Suas principais areas de estudo são a Natureza, os Atributos e as Obras de Deus.
NATUREZA ESSENCIAL Puramente espiritual,de infinitas perfeições Deus é puramente Espírito Jo.4:24)
DECRETOS DE DEUS: Eterno propósito,segundo sua vontade para a sua glória preordenada
ATRIBUTOS DE DEUS Incomunicáveis , Simplicidade Jo.4:24 UnidadeSimplicidade Dt.6:4Infinidade At.17:24 Imensidade (Não limitado),Onipresença Sl.139:7 , Sl.139:7 Sl.139:7 Imutável Tg.1:17 , Eterno Soberano Ef.:1, temporal Gn.21:33 , Onisciente Mt.11:21 Onipotente Ap.19:6 , Comunicáveis ou pessoais: (Como o homem) , Inteligência , Vontade Eternidade um conceito filosofico que se refere no sentido comum ao tempo infinito; ou ainda algo que não vida interminavel.não pode ser medido pelo tempo, porquanto transcende o tempo. Se entendermos o tempo como duração com alteração , sucessão de momentos, a Eternidade uma duração sem alteração ou sucessão. Eternidade a posse total, simultannia e perfeita , Eternidade - não teve princípio e não terá fim, sempre existiu e não deixará de existir.
NOMES DE DEUS: Nas escrituras significa mais que uma combinação de sons; representa seu caráter revelado. Deus revela-se a si mesmo, fazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome .
Deísmo • Teísmo • Monoteísmo • Politeísmo • Panteísmo • Panenteísmo
• Henoteísmo . Trindade
Atributos
Nomes • "Deus" • Existência • Gênero • Criador • Arquiteto • Sustentador • Senhor • Pai • Mónade • Monismo • O Começo • O Único • Pessoal • Onisciência •Onipotência • Onipresença • Simplicidade • Amor
Concepções de Deus
Argumentos pela existência de Deus
Argumento Ontológico
O assim denominado argumento ontológico da existência de Deus
TEOLOGIA PROPRIA
NOMENCLATURA NO ANTIGO TESTAMENTO EM HEBRÁICO (NOME DE DEUS):
Myhla 'elohiym - plural - o (verdadeiro) Deus (Gn. 1:1);
hwhy Y@hovah - Javé " Aquele que existe"; o nome próprio do único Deus verdadeiro; nome impronunciável. (Gn.2:4);
ynda 'Adonay - Senhor-título, usado para substituir Javé como expressão judáica de reverência (Gn.15:2);
NOMENCLATURA NO NOVO TESTAMENTO EM GREGO (NOME DE DEUS) :
yeov theos - A divindade suprema; Deus. (Mt. 1:23 ) ;
kuriov kurios - (supremacia) - aquele a quem uma pessoa ou coisas pertence, sobre o qual ele tem o poder de decisão; Mestre, Messias. (Mt.1:20)
1) IDÉIAS SOBRE A REALIDADE DE DEUS: COSMOVISÃO:
Há várias maneiras pelos quais as pessoas podem entender a vida, influenciando a maneira pelo qual a pessoa pode ver Deus, origens, mal, natureza humana, valores e destino.
Cada uma é singular pois seus conceitos são exclusivos.
Apenas uma cosmovisão pode ser verdadeira:
1 Deus é um ser infinito e pessoal (1 Co.8:6);
2 O mundo foi criado e é finito (Sl.89:11);
3 Deus é além do mundo e atua no universo (Rm.1:25);
4 Os milagres são possíveis e reais (Hb.2:4);
5 Possuímos alma imortal e corpo mortal (1 Co.15:54);
6 No destino humano haverá julgamento com recompensas para os justos e juízos para os ímpios (1 Pe.4:17);
7 A origem do mal implica nosso livre arbítrio (Gn.2:17);
8 No fim, o mal será derrotado por Deus (Ap.3:21);
9 A base de toda ética é baseada em Deus (2 Co.1:12);
10 A natureza da ética de Deus é absoluta (Ml.3:6);
11 Na história e seus objetivos, ela é linear, proposital e determinada por Deus (Is. 14:26).
ARGUMENTO COSMOLÓGICO:
A ciência exige uma causa para todo efeito:
11 A causa do sem fim é a existência do infinito;
12 A causa da eternidade é a existência do Eterno;
13 A causa do espaço ilimitado é a onipresença;
14 A causa do poder é a onipotência;
15 A causa da sabedoria é a onisciência;
16 A causa da personalidade é o pessoal;
17 A causa das emoções é o emocional;
18 A causa da vontade é a evolução;
19 A causa da ética é a moral;
20 A causa da espiritualidade é o espiritual;
21 A causa da beleza é a estética;
22 A causa da retidão é a santidade;
23 A causa do amar é o amor;
24 A causa da vida é a existência;
25 A causa de tudo se concentra em Deus.
2) A REVELAÇÃO DE DEUS:2 TIPOS: (Natural ou Geral) e (Especial ou Sobrenatural) Deus é o "mysterium tremendum", mistério fascinador, oculto e desconhecido (At.17:23), mas a história humana é o registro das ações de Deus no tempo (At.17:26), pois Deus domina sobre todos os homens (Dn.4:17), num plano e propósitos divinos para o Reino de Deus na terra (Dn.2:7).
Se Deus não se revelar, o homem não pode conhecê-lo.Ele é incompreensível;só o Espírito Santo conhece suas profundezas.Deus deseja que o homem o conheça,o adore e viva em sua comunhão.
REVELAÇÃO NATURAL OU GERAL
A criação pode nos revelar a existência de Deus: Deus é o Criador; é uma norma para a sociedade e meio de condenação (Insuficiente porque o pecado adulterou a fé humana-(Rm.1:19-20).
- Nas Artes: Deus se revela nas artes pois Deus é belo e fez um belo mundo e criou seres para apreciarem essa beleza. O homem é apenas um "subcriador", dotados de dons criativos que revelam algo de sua natureza maravilhosa.
- Na Música: Deus se revela na música pois os anjos o louvam (Jó.38:7;Is.6:3;Ap.4:8; Ap.5:12). A voz humana é um instrumento musical criado por Deus e também os anjos, foram criados para louvar a Deus (Sl.150:3-5; Ap.8:2; Ap.14:2).
A música manifesta a glória de Deus, bem como a criação.
- Na Natureza: A revelação geral revela Deus como criador, mas não revela o redentor, narrando apenas a grandeza de Deus (Sl.8:1; Is.40:12-17). Ela é ampla, revelando as verdades da ciência, história e matemática, pelas leis da natureza e também é essencial para a razão humana pelo questionamento dos fatos da vida.
- Nos governos: Ademais, a revelação geral de Deus (Criação) é essencial a governo humano pois apesar de nem todas as sociedades estarem debaixo da lei judaica, estão embaixo das leis universais que regem a natureza.
REVELAÇÃO ESPECIAL OU SOBRENATURAL
A revelação especial nos revela a teologia cristã: Deus é o redentor; é uma norma para a igreja e meio para salvação. A Bíblia é a norma para todo o ensinamento cristão, revelando a graça redentora de Deus e a mensagem da salvação, explicando o acesso do homem a Deus.
Tanto as revelações gerais como especiais são necessárias, pois Deus se revelou em sua Palavra e no mundo.
A verdade é encontrada tanto na Bíblia quanto na ciência, mas temos que distinguir a interpretação bíblica e a do leitor. As revelações de Deus na Palavra e no mundo nunca se contradizem, pois a Bíblia é inerrante.
3) DEFINIÇÃO DE DEUS NA TEOLOGIA:
Deus é o Ser Supremo Espírito Infinito, Eterno, Imutável em seu Ser, Sabedoria, Poder, Santidade, Justiça, Bondade, Verdade e Amor, Único, Perfeito, Criador e Sustentador do universo, Pessoal e subsiste em três Pessoas ou Distinções: Pai, Filho e Espírito Santo.
4) DEFINIÇÃO BÍBLICA DE DEUS:
Deus é testemunha entre os homens (Gn.31:50); zeloso (Dt.4:24); misericordioso (DT.4:31); único (Dt.6:4); grande e poderoso (Dt.10:17); perfeito, verdadeiro, justo e reto (Dt.32:4); salvador (2 Sm.22:3); excelso em poder (Jó.36:22); misterioso e eterno (Jó.36:26); justo juiz (Sl.7:11); bem presente (Sl.46:1); santo (Sl.99:9); a verdade real e eterna (Jr.10:10); Espírito (Jo.4:24); Fiel (2 Co.1:18); Poderoso (2 Co.9:8); único (Gl.3:20)
Amor (1 Jo.4:8); é verdadeiro em seu Filho Jesus Cristo, o verdadeiro Deus e a vida eterna. (1Jo.5:20)
5) EVIDÊNCIAS DE DEUS: (Argumentos de sua existência):
a)Impulsionador Primário:Se tudo é energia, só Deus criou a força para iniciar esta energia geradora de toda a vida.
b) Cosmológico: Existe um universo em vez de não haver nenhum, que deve ter sido causado por algo, além de si mesmo e que precisa continuar existindo; assim, se teve princípio, teve causa e assim só Deus criou esta 1ª matéria.
c) Possibilidade:Todas as partes do universo dependentes entre si e assim, dependem da existência de um ser independente;Deus.
d) Axiológico (grego Áxios-Valor): Deus entende a vida complexa de todos nós, como a complexidade psico-cerebral.
e) Telológico (grego Telos-Finalidade, Propósito):O Universo é um grande projeto complexo, tendo complexidade (muito cheio de elementos) e especificidade (características nítidas e constantes).
f)Ontológico (grego Ontos-realidade, ser perfeito):Deus é um ser absolutamente perfeito; como a existência é uma perfeição, Deus existe.
g) Eficácia da Razão:Razão admite Deus; é irracional pensar que tudo foi feito ao acaso se na vida tudo há propósito.
h) Moral:Moral vem dEle (Rm.2:12-15)-Leis morais implicam um legislador moral; como há uma lei moral objetiva, há um legislador moral que é Deus.
i)Religiosa:Seres humanos precisam de Deus;os que os seres humanos precisam existe;logo,Deus realmente existe.
j) Autoridade:Existência de líderes;Se há a presença de líderes e de liderados, isso reflete que há um líder maior,Deus.
k) Experiência: Cura, milagre;Curas e milagres em todo o mundo, evidenciam a operação de Deus (realizar milagres.)
l) "consensus gentium":Opinião popular;se numa comunidade, pessoas de diferentes padrões atestam, há evidência.
m) felicidade cristã: Senso de Confiança.Testemunhos de pessoas transformadas evidenciam Deus em suas vidas.
n)Argumento da Alegria:Todo desejo tem um objeto real de satisfação;os seres humanos têm um desejo inato e natural pela imortalidade; assim, há uma vida imortal após a morte e conseqüentemente, a presença de Deus, juiz.
6) RELAÇÃO NO MUNDO:
Visão correta:TEÍSTA/MONOTEÍSTA:Há um Deus e somente um único Deus, que é Ele mesmo, em sentido absoluto: Há 3 religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.
O deísmo pretende enfrentar a questão da existência de Deus, através da razão,
em lugar dos elementos comuns das religiões teístas tais como a "revelação divina", os dogmas e a tradição. Os deístas, geralmente, questionam as religiões denominacionais e seus deus(es) dito(s) "revelado(s)", argumentando que Deus é o criador do mundo, mas que não intervém, diretamente, nos afazeres do mesmo, embora esta posição não seja estritamente parte da filosofia deísta. Para os deístas, Deus se revela através da ciência e as leis da natureza.
É interessante dizer, que o conceito deísta de divindade não corresponde,necessariamente, ao que comumente a sociedade entende ser "deus". Ou seja, existem várias formas de se compreender aquilo que é, supostamente, transcendente ou sobrenatural. Então, Deus pode ser compreendido como o princípio vital, a energia criadora ou a força motriz do Universo. Todavia, não propriamente como um ser antropomórfico. Tal representação é específica das religiões fundamentalistas, os quais o deísta não considera como sendo a verdade.
O deísta não necessariamente nega que alguém possa receber uma revelação divina,mas essa revelação será válida apenas para a pessoa que a recebeu (se realmente a recebeu). Isto implica a possibilidade de estar aberto às diferentes religiões como manifestações diversas de uma mesma realidade divina, embora não crendo que nenhuma delas seja a "verdade" absoluta.
Muitos deístas podem ser definidos como agnósticos teístas, pois consideram que no dia-a-dia as ações humanas deva a Criação e Providência Deus por seu poder e bondade infinitos, criou o mundo do nada, sem perda de sua substância, deu existência ao mundo , que não abandonou, depois de criá-lo;continua a influir em todo momento sobre ele,com sabedoria e amor,conservando e dirigindo no sentido dos fins dados na ordem da criação.
Imanência e Transcendência:
a) Deus está unido ao mundo que criou;
b) dele se distingue em real independência de Deus, ser infinito, pessoal, autônomo, inteligente e livre, distinto do universo que criou, o conserva e o dirige.
7) MANEIRAS DE SE REVELAR:
a)Teofanias(manifestações)-Deus próximo,entre anjos, fogo, nuvem,fumaça,zéfiro suave(voz mansa) e Anjo do Senhor(2ª.pessoa da trindade);
b)Comunicações diretas (auto-revelação):Voz audível, Urim e Tumim (peças da roupa do Sumo-sacerdote), sonho, revelação, visão e pelo Espírito Santo.
c) Milagres (experiência mística): poder de Deus em situações especiais: Maná, sarça ardente, abertura do Jordão;
d) Escrituras:revelando aspectos de Deus e sua obra;
e) Abordagens: racionais (reflexão); intuitivas (idéias) ou filosóficas .
8) SUA NATUREZA ESSENCIAL:
1)Puramente espiritual,de infinitas perfeições (3 elementos):Deus é puramente Espírito (Jo.4:24) auto-consciente, auto-determinativo, sem corpo limitado, não visto por nossos sentidos.
2)Pessoal: tem personalidade, inteligência, moral e racional,através de suas ações: vai, vem, sustenta prova,conversa e dá vitória;revelação mais elevada em Cristo;
3) Infinitamente Perfeito:distinguível de todos,sem limites, exaltado; sua essência e propriedade são uma, nada se acrescenta a seus atributos,que dão essência plena de si.
9) ATRIBUTOS DE DEUS (Características Exclusivas):Divide-se em 03 Tipos: PAI , FILHO , ESPIRITO .
1) Incomunicáveis, absolutos ou metafísicos: (Não humanos):
1 Simplicidade(não composto de partes)-Jo.4:24
2 Unidade(indivisível e uno)-Dt.6:4
3 Infinidade (nada acima dELe)-At.17:24
4 Imensidade(Não limitado)
5 Onipresença(em todo lugar)-Sl.139:7
6 Imutável(idêntico)-Tg.1:17
7 Eterno(Atemporal)-Gn.21:33
8 Onisciente-(Sabe tudo)-Mt.11:21
9 Onipotente(todo-poderoso)-Ap.19:6
10 Soberano (Governante supremo do Universo)-Ef.:1
2)Comunicáveis ou pessoais: (Como o homem):
1 Inteligência:tudo vê e conhece por intuição sem pensar
2 Vontade: basta querer fazer
3)Morais: (manifesta pessoa moral):
1 Sabedoria (faz empregar meios mais eficazes e dignos, inteligência infinitamente perfeita)
2 Bondade-Deus é amor infinito e perfeito;ama as coisas na proporção do valor e mérito; ama a si mesmo e à sua criação
3 Justiça (age com justiça infinitamente perfeita, pune o mal e recompensa o bem)
4 Santidade ou Retidão Moral (inteireza de caráter, legítimo, correto)
5 Amor: (dedicação absoluta de desejar bem do outro)
6 Verdade: (Concordância e coerência em tudo)
7 Liberdade (Independência divina de suas criaturas)
10) DECRETOS DE DEUS: Eterno propósito,segundo sua vontade para a sua glória preordenada:Termos relacionados:
1) Onisciência (Conhece tudo)
2) Presciência (Antevê tudo)
3) Predestinação (Sabe destino dos eleitos)
4) Retribuição (Pune os ímpios)
5) Eleição (Escolheu povo para si)
6) Preterição(omite não eleitos)
7) Pai: de Cristo (Mt.3:17); de Israel (Dt.32:6); dos Crentes (Ef.4:6); dos Anjos (Jó.1:6); dos Espíritos (Hb.12:9); da Glória (Ef.1:17); das Luzes (Tg.1:17); de todos (Ef.4:6 e Rm.4:11);dos Órfãos (Sl.68:5);da Eternidade(Is.9:6);das Famílias(Mt.19:5);.
11) NOMES DE DEUS:
Nas escrituras significa mais que uma combinação de sons; representa seu caráter revelado. Deus revela-se a si mesmo, fazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome:
Nomes de Deus:
a) El (Deus), Elah, Elohim (aumentativo de El, pra designar Deus supremo, sentido de força e poder), Eloah (Deus da Eternidade);
b) Jeová (artificialmente criado:YHWH (yahweh)+Adonai (Senhor);
c)Yaweh ou Javé (Eu Sou o que Sou);OBS:Yaweh + Elohim (Deus dos deuses);Yireh (o que provê);Nissi (minha bandeira);Shalom (paz);tsidquenu(nossa justiça);shammat (está ali); Shapat (juiz);Yasha(Salvador); Palat (libertador); El Roi (Deus vê); Tsaddiq (Justo);Ego eimi (EU SOU); Pater (Pai das Luzes); Elohim (Deus vivo); Elohim Sabaoth ou Kúrios (Senhor dos Exércitos); Eyaluth (Força); Maor (Doador da Luz); Abba (Pai); Rocha;Theótes
ou Théos (Divindade); Senhor dos Senhores; Qadosh (Santo de Israel)
A idéia de "Deus"
Existem diferentes definições para Deus, o qual tanto pode ser um ser com
poderes sobrenaturais, amado ou temido, quanto representar o princípio criador e
mantenedor de todas as coisas do universo.
A definição de Deus abraâmico é de um Ser Supremo, um espírito dotado de
entendimento e de vontade, infinitamente perfeito que existe por si mesmo
porque de ninguém recebeu a existência, ninguém O fez e de quem todos os
outros seres recebem a existência. É o único Ser necessário que existe desde
toda a eternidade, sempre existiu e sempre existirá Deus é Aquele que é Deus
Predestinação, é um conceito teológico, também relacionado a filosofia, que
trata do relacionamento de Deus e o homem, no sentido de que Deus decidiu
previamente os acontecimentos no tempo e no espaço utilizando de Sua absoluta
soberania.
A predestinação divina, comum no monoteísmo, é no cristianismo relacionada a
onisciência de Deus sabendo previamente tudo o que vai acontecer, no que se
refere à salvação de uns e a não salvação de outros
O amor de Deus é um conceito central nas concepções monoteístas de Deus. Na
teologia, este amor é o atributo divino segundo o qual Deus deseja dirigir-se ou
comunicar-se bondosamente à sua criação. Nas palavras do teólogo calvinista
Louis Berkhof, este amor é "a perfeição de Deus pela qual Ele é movido eternamente à Sua própria comunicação". Em virtude da santidade divina, Deus "ama as Suas criaturas racionais por amor a Si mesmo, ou, para expressá-lo doutra forma, neles Ele se ama a Si mesmo, Suas virtudes, Sua obra e Seus dons".
Um atributo divino é uma qualidade ou característica atribuída a Deus. Dada a condição especial de Deus, em que "seus atributos coincidem com o seu ser", é comum serem os atributos chamados de perfeições divinas.costuma-se classificar os atributos divinos em dois grupos: atributos incomunicáveis e comunicável
Criação (teologia) Origem:
Criação é um conceito teológico, sustentado por quase todas as religiões e por
correntes filosóficas, segundo o qual o universo teria sido formado a partir da
decisão e da ação de uma divindade.
Segundo a teologia cristã, toda a Santíssima Trindade está envolvida na tarefa
criadora do universo. No entanto, a iniciativa da criação coube a Deus Pai.
BERKHOF, L. Teologia Sistemática.
NOVO HAMBURGO , RIO GRANDE DO SUL ,31,JANEIRO DE 2009
TEOLOGIA PROPRIA
POR
ALEXANDRE FRANCISCO REIS
Alexandre.Francisco.reis@gmail.com
TEOLOGIA PROPRA
INTRODUÇÃO
SÍNTESE DE TEOLOGIA PROPRIA : Teologia Própria é um termo teológico usado para se referir ao estudo específico de Deus, o Pai, desde uma perspectiva Cristã. Ainda que o termo "teologia" por si mesmo signifique "o estudo de Deus", ele usualmente significa um estudo genérico que inclui todas as outras "teologias", como Cristologia, Pneumatologia, etc. Teologia Própria focaliza sua atenção especificamente na primeira pessoa da Trindade, o Pai. Suas principais areas de estudo são a Natureza, os Atributos e as Obras de Deus.
NATUREZA ESSENCIAL Puramente espiritual,de infinitas perfeições Deus é puramente Espírito Jo.4:24)
DECRETOS DE DEUS: Eterno propósito,segundo sua vontade para a sua glória preordenada
ATRIBUTOS DE DEUS Incomunicáveis , Simplicidade Jo.4:24 UnidadeSimplicidade Dt.6:4Infinidade At.17:24 Imensidade (Não limitado),Onipresença Sl.139:7 , Sl.139:7 Sl.139:7 Imutável Tg.1:17 , Eterno Soberano Ef.:1, temporal Gn.21:33 , Onisciente Mt.11:21 Onipotente Ap.19:6 , Comunicáveis ou pessoais: (Como o homem) , Inteligência , Vontade Eternidade um conceito filosofico que se refere no sentido comum ao tempo infinito; ou ainda algo que não vida interminavel.não pode ser medido pelo tempo, porquanto transcende o tempo. Se entendermos o tempo como duração com alteração , sucessão de momentos, a Eternidade uma duração sem alteração ou sucessão. Eternidade a posse total, simultannia e perfeita , Eternidade - não teve princípio e não terá fim, sempre existiu e não deixará de existir.
NOMES DE DEUS: Nas escrituras significa mais que uma combinação de sons; representa seu caráter revelado. Deus revela-se a si mesmo, fazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome .
Deísmo • Teísmo • Monoteísmo • Politeísmo • Panteísmo • Panenteísmo
• Henoteísmo . Trindade
Atributos
Nomes • "Deus" • Existência • Gênero • Criador • Arquiteto • Sustentador • Senhor • Pai • Mónade • Monismo • O Começo • O Único • Pessoal • Onisciência •Onipotência • Onipresença • Simplicidade • Amor
Concepções de Deus
Argumentos pela existência de Deus
Argumento Ontológico
O assim denominado argumento ontológico da existência de Deus
TEOLOGIA PROPRIA
NOMENCLATURA NO ANTIGO TESTAMENTO EM HEBRÁICO (NOME DE DEUS):
Myhla 'elohiym - plural - o (verdadeiro) Deus (Gn. 1:1);
hwhy Y@hovah - Javé " Aquele que existe"; o nome próprio do único Deus verdadeiro; nome impronunciável. (Gn.2:4);
ynda 'Adonay - Senhor-título, usado para substituir Javé como expressão judáica de reverência (Gn.15:2);
NOMENCLATURA NO NOVO TESTAMENTO EM GREGO (NOME DE DEUS) :
yeov theos - A divindade suprema; Deus. (Mt. 1:23 ) ;
kuriov kurios - (supremacia) - aquele a quem uma pessoa ou coisas pertence, sobre o qual ele tem o poder de decisão; Mestre, Messias. (Mt.1:20)
1) IDÉIAS SOBRE A REALIDADE DE DEUS: COSMOVISÃO:
Há várias maneiras pelos quais as pessoas podem entender a vida, influenciando a maneira pelo qual a pessoa pode ver Deus, origens, mal, natureza humana, valores e destino.
Cada uma é singular pois seus conceitos são exclusivos.
Apenas uma cosmovisão pode ser verdadeira:
1 Deus é um ser infinito e pessoal (1 Co.8:6);
2 O mundo foi criado e é finito (Sl.89:11);
3 Deus é além do mundo e atua no universo (Rm.1:25);
4 Os milagres são possíveis e reais (Hb.2:4);
5 Possuímos alma imortal e corpo mortal (1 Co.15:54);
6 No destino humano haverá julgamento com recompensas para os justos e juízos para os ímpios (1 Pe.4:17);
7 A origem do mal implica nosso livre arbítrio (Gn.2:17);
8 No fim, o mal será derrotado por Deus (Ap.3:21);
9 A base de toda ética é baseada em Deus (2 Co.1:12);
10 A natureza da ética de Deus é absoluta (Ml.3:6);
11 Na história e seus objetivos, ela é linear, proposital e determinada por Deus (Is. 14:26).
ARGUMENTO COSMOLÓGICO:
A ciência exige uma causa para todo efeito:
11 A causa do sem fim é a existência do infinito;
12 A causa da eternidade é a existência do Eterno;
13 A causa do espaço ilimitado é a onipresença;
14 A causa do poder é a onipotência;
15 A causa da sabedoria é a onisciência;
16 A causa da personalidade é o pessoal;
17 A causa das emoções é o emocional;
18 A causa da vontade é a evolução;
19 A causa da ética é a moral;
20 A causa da espiritualidade é o espiritual;
21 A causa da beleza é a estética;
22 A causa da retidão é a santidade;
23 A causa do amar é o amor;
24 A causa da vida é a existência;
25 A causa de tudo se concentra em Deus.
2) A REVELAÇÃO DE DEUS:2 TIPOS: (Natural ou Geral) e (Especial ou Sobrenatural) Deus é o "mysterium tremendum", mistério fascinador, oculto e desconhecido (At.17:23), mas a história humana é o registro das ações de Deus no tempo (At.17:26), pois Deus domina sobre todos os homens (Dn.4:17), num plano e propósitos divinos para o Reino de Deus na terra (Dn.2:7).
Se Deus não se revelar, o homem não pode conhecê-lo.Ele é incompreensível;só o Espírito Santo conhece suas profundezas.Deus deseja que o homem o conheça,o adore e viva em sua comunhão.
REVELAÇÃO NATURAL OU GERAL
A criação pode nos revelar a existência de Deus: Deus é o Criador; é uma norma para a sociedade e meio de condenação (Insuficiente porque o pecado adulterou a fé humana-(Rm.1:19-20).
- Nas Artes: Deus se revela nas artes pois Deus é belo e fez um belo mundo e criou seres para apreciarem essa beleza. O homem é apenas um "subcriador", dotados de dons criativos que revelam algo de sua natureza maravilhosa.
- Na Música: Deus se revela na música pois os anjos o louvam (Jó.38:7;Is.6:3;Ap.4:8; Ap.5:12). A voz humana é um instrumento musical criado por Deus e também os anjos, foram criados para louvar a Deus (Sl.150:3-5; Ap.8:2; Ap.14:2).
A música manifesta a glória de Deus, bem como a criação.
- Na Natureza: A revelação geral revela Deus como criador, mas não revela o redentor, narrando apenas a grandeza de Deus (Sl.8:1; Is.40:12-17). Ela é ampla, revelando as verdades da ciência, história e matemática, pelas leis da natureza e também é essencial para a razão humana pelo questionamento dos fatos da vida.
- Nos governos: Ademais, a revelação geral de Deus (Criação) é essencial a governo humano pois apesar de nem todas as sociedades estarem debaixo da lei judaica, estão embaixo das leis universais que regem a natureza.
REVELAÇÃO ESPECIAL OU SOBRENATURAL
A revelação especial nos revela a teologia cristã: Deus é o redentor; é uma norma para a igreja e meio para salvação. A Bíblia é a norma para todo o ensinamento cristão, revelando a graça redentora de Deus e a mensagem da salvação, explicando o acesso do homem a Deus.
Tanto as revelações gerais como especiais são necessárias, pois Deus se revelou em sua Palavra e no mundo.
A verdade é encontrada tanto na Bíblia quanto na ciência, mas temos que distinguir a interpretação bíblica e a do leitor. As revelações de Deus na Palavra e no mundo nunca se contradizem, pois a Bíblia é inerrante.
3) DEFINIÇÃO DE DEUS NA TEOLOGIA:
Deus é o Ser Supremo Espírito Infinito, Eterno, Imutável em seu Ser, Sabedoria, Poder, Santidade, Justiça, Bondade, Verdade e Amor, Único, Perfeito, Criador e Sustentador do universo, Pessoal e subsiste em três Pessoas ou Distinções: Pai, Filho e Espírito Santo.
4) DEFINIÇÃO BÍBLICA DE DEUS:
Deus é testemunha entre os homens (Gn.31:50); zeloso (Dt.4:24); misericordioso (DT.4:31); único (Dt.6:4); grande e poderoso (Dt.10:17); perfeito, verdadeiro, justo e reto (Dt.32:4); salvador (2 Sm.22:3); excelso em poder (Jó.36:22); misterioso e eterno (Jó.36:26); justo juiz (Sl.7:11); bem presente (Sl.46:1); santo (Sl.99:9); a verdade real e eterna (Jr.10:10); Espírito (Jo.4:24); Fiel (2 Co.1:18); Poderoso (2 Co.9:8); único (Gl.3:20)
Amor (1 Jo.4:8); é verdadeiro em seu Filho Jesus Cristo, o verdadeiro Deus e a vida eterna. (1Jo.5:20)
5) EVIDÊNCIAS DE DEUS: (Argumentos de sua existência):
a)Impulsionador Primário:Se tudo é energia, só Deus criou a força para iniciar esta energia geradora de toda a vida.
b) Cosmológico: Existe um universo em vez de não haver nenhum, que deve ter sido causado por algo, além de si mesmo e que precisa continuar existindo; assim, se teve princípio, teve causa e assim só Deus criou esta 1ª matéria.
c) Possibilidade:Todas as partes do universo dependentes entre si e assim, dependem da existência de um ser independente;Deus.
d) Axiológico (grego Áxios-Valor): Deus entende a vida complexa de todos nós, como a complexidade psico-cerebral.
e) Telológico (grego Telos-Finalidade, Propósito):O Universo é um grande projeto complexo, tendo complexidade (muito cheio de elementos) e especificidade (características nítidas e constantes).
f)Ontológico (grego Ontos-realidade, ser perfeito):Deus é um ser absolutamente perfeito; como a existência é uma perfeição, Deus existe.
g) Eficácia da Razão:Razão admite Deus; é irracional pensar que tudo foi feito ao acaso se na vida tudo há propósito.
h) Moral:Moral vem dEle (Rm.2:12-15)-Leis morais implicam um legislador moral; como há uma lei moral objetiva, há um legislador moral que é Deus.
i)Religiosa:Seres humanos precisam de Deus;os que os seres humanos precisam existe;logo,Deus realmente existe.
j) Autoridade:Existência de líderes;Se há a presença de líderes e de liderados, isso reflete que há um líder maior,Deus.
k) Experiência: Cura, milagre;Curas e milagres em todo o mundo, evidenciam a operação de Deus (realizar milagres.)
l) "consensus gentium":Opinião popular;se numa comunidade, pessoas de diferentes padrões atestam, há evidência.
m) felicidade cristã: Senso de Confiança.Testemunhos de pessoas transformadas evidenciam Deus em suas vidas.
n)Argumento da Alegria:Todo desejo tem um objeto real de satisfação;os seres humanos têm um desejo inato e natural pela imortalidade; assim, há uma vida imortal após a morte e conseqüentemente, a presença de Deus, juiz.
6) RELAÇÃO NO MUNDO:
Visão correta:TEÍSTA/MONOTEÍSTA:Há um Deus e somente um único Deus, que é Ele mesmo, em sentido absoluto: Há 3 religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.
O deísmo pretende enfrentar a questão da existência de Deus, através da razão,
em lugar dos elementos comuns das religiões teístas tais como a "revelação divina", os dogmas e a tradição. Os deístas, geralmente, questionam as religiões denominacionais e seus deus(es) dito(s) "revelado(s)", argumentando que Deus é o criador do mundo, mas que não intervém, diretamente, nos afazeres do mesmo, embora esta posição não seja estritamente parte da filosofia deísta. Para os deístas, Deus se revela através da ciência e as leis da natureza.
É interessante dizer, que o conceito deísta de divindade não corresponde,necessariamente, ao que comumente a sociedade entende ser "deus". Ou seja, existem várias formas de se compreender aquilo que é, supostamente, transcendente ou sobrenatural. Então, Deus pode ser compreendido como o princípio vital, a energia criadora ou a força motriz do Universo. Todavia, não propriamente como um ser antropomórfico. Tal representação é específica das religiões fundamentalistas, os quais o deísta não considera como sendo a verdade.
O deísta não necessariamente nega que alguém possa receber uma revelação divina,mas essa revelação será válida apenas para a pessoa que a recebeu (se realmente a recebeu). Isto implica a possibilidade de estar aberto às diferentes religiões como manifestações diversas de uma mesma realidade divina, embora não crendo que nenhuma delas seja a "verdade" absoluta.
Muitos deístas podem ser definidos como agnósticos teístas, pois consideram que no dia-a-dia as ações humanas deva a Criação e Providência Deus por seu poder e bondade infinitos, criou o mundo do nada, sem perda de sua substância, deu existência ao mundo , que não abandonou, depois de criá-lo;continua a influir em todo momento sobre ele,com sabedoria e amor,conservando e dirigindo no sentido dos fins dados na ordem da criação.
Imanência e Transcendência:
a) Deus está unido ao mundo que criou;
b) dele se distingue em real independência de Deus, ser infinito, pessoal, autônomo, inteligente e livre, distinto do universo que criou, o conserva e o dirige.
7) MANEIRAS DE SE REVELAR:
a)Teofanias(manifestações)-Deus próximo,entre anjos, fogo, nuvem,fumaça,zéfiro suave(voz mansa) e Anjo do Senhor(2ª.pessoa da trindade);
b)Comunicações diretas (auto-revelação):Voz audível, Urim e Tumim (peças da roupa do Sumo-sacerdote), sonho, revelação, visão e pelo Espírito Santo.
c) Milagres (experiência mística): poder de Deus em situações especiais: Maná, sarça ardente, abertura do Jordão;
d) Escrituras:revelando aspectos de Deus e sua obra;
e) Abordagens: racionais (reflexão); intuitivas (idéias) ou filosóficas .
8) SUA NATUREZA ESSENCIAL:
1)Puramente espiritual,de infinitas perfeições (3 elementos):Deus é puramente Espírito (Jo.4:24) auto-consciente, auto-determinativo, sem corpo limitado, não visto por nossos sentidos.
2)Pessoal: tem personalidade, inteligência, moral e racional,através de suas ações: vai, vem, sustenta prova,conversa e dá vitória;revelação mais elevada em Cristo;
3) Infinitamente Perfeito:distinguível de todos,sem limites, exaltado; sua essência e propriedade são uma, nada se acrescenta a seus atributos,que dão essência plena de si.
9) ATRIBUTOS DE DEUS (Características Exclusivas):Divide-se em 03 Tipos: PAI , FILHO , ESPIRITO .
1) Incomunicáveis, absolutos ou metafísicos: (Não humanos):
1 Simplicidade(não composto de partes)-Jo.4:24
2 Unidade(indivisível e uno)-Dt.6:4
3 Infinidade (nada acima dELe)-At.17:24
4 Imensidade(Não limitado)
5 Onipresença(em todo lugar)-Sl.139:7
6 Imutável(idêntico)-Tg.1:17
7 Eterno(Atemporal)-Gn.21:33
8 Onisciente-(Sabe tudo)-Mt.11:21
9 Onipotente(todo-poderoso)-Ap.19:6
10 Soberano (Governante supremo do Universo)-Ef.:1
2)Comunicáveis ou pessoais: (Como o homem):
1 Inteligência:tudo vê e conhece por intuição sem pensar
2 Vontade: basta querer fazer
3)Morais: (manifesta pessoa moral):
1 Sabedoria (faz empregar meios mais eficazes e dignos, inteligência infinitamente perfeita)
2 Bondade-Deus é amor infinito e perfeito;ama as coisas na proporção do valor e mérito; ama a si mesmo e à sua criação
3 Justiça (age com justiça infinitamente perfeita, pune o mal e recompensa o bem)
4 Santidade ou Retidão Moral (inteireza de caráter, legítimo, correto)
5 Amor: (dedicação absoluta de desejar bem do outro)
6 Verdade: (Concordância e coerência em tudo)
7 Liberdade (Independência divina de suas criaturas)
10) DECRETOS DE DEUS: Eterno propósito,segundo sua vontade para a sua glória preordenada:Termos relacionados:
1) Onisciência (Conhece tudo)
2) Presciência (Antevê tudo)
3) Predestinação (Sabe destino dos eleitos)
4) Retribuição (Pune os ímpios)
5) Eleição (Escolheu povo para si)
6) Preterição(omite não eleitos)
7) Pai: de Cristo (Mt.3:17); de Israel (Dt.32:6); dos Crentes (Ef.4:6); dos Anjos (Jó.1:6); dos Espíritos (Hb.12:9); da Glória (Ef.1:17); das Luzes (Tg.1:17); de todos (Ef.4:6 e Rm.4:11);dos Órfãos (Sl.68:5);da Eternidade(Is.9:6);das Famílias(Mt.19:5);.
11) NOMES DE DEUS:
Nas escrituras significa mais que uma combinação de sons; representa seu caráter revelado. Deus revela-se a si mesmo, fazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome:
Nomes de Deus:
a) El (Deus), Elah, Elohim (aumentativo de El, pra designar Deus supremo, sentido de força e poder), Eloah (Deus da Eternidade);
b) Jeová (artificialmente criado:YHWH (yahweh)+Adonai (Senhor);
c)Yaweh ou Javé (Eu Sou o que Sou);OBS:Yaweh + Elohim (Deus dos deuses);Yireh (o que provê);Nissi (minha bandeira);Shalom (paz);tsidquenu(nossa justiça);shammat (está ali); Shapat (juiz);Yasha(Salvador); Palat (libertador); El Roi (Deus vê); Tsaddiq (Justo);Ego eimi (EU SOU); Pater (Pai das Luzes); Elohim (Deus vivo); Elohim Sabaoth ou Kúrios (Senhor dos Exércitos); Eyaluth (Força); Maor (Doador da Luz); Abba (Pai); Rocha;Theótes
ou Théos (Divindade); Senhor dos Senhores; Qadosh (Santo de Israel)
A idéia de "Deus"
Existem diferentes definições para Deus, o qual tanto pode ser um ser com
poderes sobrenaturais, amado ou temido, quanto representar o princípio criador e
mantenedor de todas as coisas do universo.
A definição de Deus abraâmico é de um Ser Supremo, um espírito dotado de
entendimento e de vontade, infinitamente perfeito que existe por si mesmo
porque de ninguém recebeu a existência, ninguém O fez e de quem todos os
outros seres recebem a existência. É o único Ser necessário que existe desde
toda a eternidade, sempre existiu e sempre existirá Deus é Aquele que é Deus
Predestinação, é um conceito teológico, também relacionado a filosofia, que
trata do relacionamento de Deus e o homem, no sentido de que Deus decidiu
previamente os acontecimentos no tempo e no espaço utilizando de Sua absoluta
soberania.
A predestinação divina, comum no monoteísmo, é no cristianismo relacionada a
onisciência de Deus sabendo previamente tudo o que vai acontecer, no que se
refere à salvação de uns e a não salvação de outros
O amor de Deus é um conceito central nas concepções monoteístas de Deus. Na
teologia, este amor é o atributo divino segundo o qual Deus deseja dirigir-se ou
comunicar-se bondosamente à sua criação. Nas palavras do teólogo calvinista
Louis Berkhof, este amor é "a perfeição de Deus pela qual Ele é movido eternamente à Sua própria comunicação". Em virtude da santidade divina, Deus "ama as Suas criaturas racionais por amor a Si mesmo, ou, para expressá-lo doutra forma, neles Ele se ama a Si mesmo, Suas virtudes, Sua obra e Seus dons".
Um atributo divino é uma qualidade ou característica atribuída a Deus. Dada a condição especial de Deus, em que "seus atributos coincidem com o seu ser", é comum serem os atributos chamados de perfeições divinas.costuma-se classificar os atributos divinos em dois grupos: atributos incomunicáveis e comunicável
Criação (teologia) Origem:
Criação é um conceito teológico, sustentado por quase todas as religiões e por
correntes filosóficas, segundo o qual o universo teria sido formado a partir da
decisão e da ação de uma divindade.
Segundo a teologia cristã, toda a Santíssima Trindade está envolvida na tarefa
criadora do universo. No entanto, a iniciativa da criação coube a Deus Pai.
BERKHOF, L. Teologia Sistemática.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
HERMENÊUTICA
1. Uma das primeiras ciências que o pregador deve conhecer é certamente a hermenêutica. Porém, quantos pregadores há que nem de nome a conhecem! Que é, pois, a hermenêutica? "A arte de interpretar textos", responde o dicionário. Porém a hermenêutica (do grego hermenevein, interpretar), da qual nos ocuparemos, forma parte da Teologia exegética, ou seja, a que trata da reta inteligência e interpretação das Escrituras bíblicas.
2. O apóstolo Pedro admite, falando das Escrituras, que entre as do Novo Testamento "há certas cousas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras [as do Antigo], para a própria destruição deles". E para maior desgraça e calamidade, quando estes ignorantes nos conhecimentos hermenêuticos se apresentam coma doutos, torcendo as Escrituras para provar seus erros, arrastam consigo multidões à perdição.
3. Tais ignorantes, pretensos doutos, sempre se têm constituído em falsos, desde as falsos profetas da antiguidade até as papistas da era cristã, e os russelitas de hoje. E qualquer pregador que ignora esta importante ciência se encontrará muitas vezes perplexo, e cairá facilmente no erro de Balaão e na contradição de Coré. A arma principal do soldado de Cristo é a Escritura, e se desconhece seu valor e ignora seu use legítimo, que soldado será?
4. Não há livro mais perseguido pelos inimigos, nem livro mais torturado pelos amigos, que a Bíblia, devido à ignorância da sadia regra de interpretação. Isto, irmãos, não deve ser assim. Esta dádiva do céu não nos veio para que cada qual a use a seu próprio gosto, mutilando-a, tergiversando ou torcendo-a para nossa perdição.
5. Lembremo-nos de que as variadíssimas circunstâncias que concorreram para a produção do maravilhoso livro requerem do expositor que seu estudo seja demorado e sempre "conforme a ciência", conforme as princípios hermenêuticos.
a) Entre seus escritores, "os santos homens de Deus, por exemplo, que filaram sempre inspirados pelo Espírito Santo", achamos pessoas de tão variada categoria de educação, como sejam, sacerdotes, como Esdras; poetas, como Salomão; profetas, qual Isaías; guerreiros, como Davi; pastores, qual Amós; estadistas, como Daniel; sábios, como Moisés e Paulo, e "pescadores, homens sem letras", como Pedro e João. Destes, uns formulam leis, como Moisés; outros escrevem história, como Josué; este escreve salmos, como Davi; aquele provérbios, como Salomão; uns profecias, como Jeremias; outros biografias, como os evangelistas; outros cartas, coma as apóstolos.
b) Quanto ao tempo viveu Moisés 400 anos antes do cerco de Tróia e 300 anos antes de aparecerem as mais antigos sábios da Grécia e Ásia, coma Tales, Pitágoras e Confúcio, vivendo João, o último escritor bíblico, uns 1500 anos depois de Moisés.
c) Com respeito ao lugar foram escritos em pontos tão diferentes como o são o centro da Ásia, as areias da Arábia, as desertos da Judéia, os pórticos do Templo, as escolas dos profetas em Betel e Jericó, nos palácios da Babilônia, nas margens do Quebar e em meio h civilização ocidental, tomando-se as figuras, símbolos e expressões, dos usos, costumes e cenas que ofereciam tão variados tempos e lugares. Os escritores bíblicos foram plenamente inspirados, porém não de tal modo que resultasse supérfluo o mandamento de esquadrinhar as Escrituras e que se deixasse sem consideração tanta variedade de pessoas, assuntos, épocas e lugares. Estas circunstâncias, como é natural, influíram ainda que não, certamente, na verdade divina expressa na linguagem bíblica, porém na própria linguagem, de que se ocupa a hermenêutica e que tão necessário é que a compreenda o pregador, intérprete e expositor bíblico.
6. Uma breve observação geral a respeito de dita linguagem nos fará mais patente ainda a grande necessidade do conhecimento de sadia interpretação para o estudo proveitoso das Escrituras. Certos doutos, por exemplo, que têm vivido sempre "incomunicados" com respeito à linguagem bíblica, acham tal linguagem chocante ao incompatível com seu ideal imaginário de revelação divina, tudo isso pela superabundância de todo gênero de palavras e expressões figuradas e simb61icas que ocorrem nas Escrituras. Algum conhecimento de hermenêutica não só as livraria de tal dificuldade, como as persuadiria de que tal linguagem é a divina par excelência, como é a mais científica e literária.
7. Um cientista de fama costumava insistir em que seus colaboradores, na cátedra, encarnassem o invisível, porque, dizia, "tão-somente deste modo podemos conceber a existência do invisível operando sobre o visível". Porém esta idéia da ciência moderna é mais antiga que a própria Bíblia, posta que, em verdade, foi Deus o primeiro que encarnou seus pensamentos invisíveis nos objetos visíveis do Universo, revelando-se a si mesmo. "Porquanto o que de Deus se pode conhecer . . . Deus lhes manifestou; porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidas por meio das coisas que foram criadas" (Rom. 1:20).
Eis aqui, pois, o Universo visível, tomado como gigantesco dicionário divino, repleto de inumeráveis palavras que são os objetos visíveis, vivos e mortos, ativos e passives, expressões simbólicas de suas idéias invisíveis, Nada mais natural, pois, que ao inspirar as Escrituras, se valha de seu próprio dicionário, levando-nos por meio do visível ao invisível, pela encarnação do pensamento, ao próprio pensamento; pelo objetivo ao subjetivo, pelo conhecido e familiar ao desconhecido e espiritual.
8. Porém isto não só foi natural, mas absolutamente necessário em vista de nossa condição atual, porquanto as palavras exclusivamente espirituais ou abstratas, pouco ou quase nada dizem ao homem natural. Apenas há um fato relacionado com a mente e a verdade espiritual que se possa comunicar com proveito sem lançar mão da linguagem nascida de objetos visíveis. Deus tem levado em conta esta nossa condição. Não estranhemos, pois, que para elevar-nos à concepção possível do céu se valha de figuras ou semelhanças tomadas das cenas gloriosas da terra; nem de que para elevar-nos à concepção possível de sua própria pessoa, se sirva do que foi a "coroa" da criação, apresentando-se a nós como ser corporal, semelhante a nós. Folga dizer que para a correta compreensão da verdade, tanto em símbolo e figura pela necessidade humana, se requer meditação e estudo profundo.
9. Porém é preciso observar a esta altura que ditas expressões figurativas ou simbólicas não se devem meramente à natureza da verdade espiritual, à maravilhosa relação entre o invisível e o visível, mas também ao fato de que tal linguagem vem mais a propósito, par ser mais formosa e expressiva. Conduz idéias à mente com muito mais vivacidade que a descrição prosaica. Encanta e recria a imaginação, ao mesmo tempo que instrui a alma e fixa a verdade na memória, deleitando o coração. Que conceito errôneo do que é próprio abrigam os que imaginam que a Bíblia, para ser revelação divina, deveria estar escrita no estilo da aritmética ou geometria! Não tem Deus, por sua sabedoria, enlouquecido a sabedoria do mundo?
Lembremo-nos, pois, em resume, que as Escrituras, tratando de temas que abrangem o céu e a terra, o tempo e a eternidade, o visível e o invisível, o material e o espiritual, foram escritas por pessoas de tão variada natureza, e em épocas tão remotas, em países tão distantes entre si, e em meio a pessoas e costumes tão diferentes e em linguagem tão simbólica, que facilmente se compreenderá que para a reta inteligência e compreensão de tudo, nos é de suma necessidade todo o conselho e auxílio que nos possa oferecer a hermenêutica.
HISTÓRIA DO CRISTIANISMO
Pouco se sabe a respeito desta perseguição; mas esse pouco é sem dúvida interessante. E entre os muitos mártires que sofreram, encontra-se João, o discípulo amado de
Jesus, e Timóteo, a quem Paulo escreveu com tão afeiçoa-da solicitude. Diz a tradição que o primeiro foi lançado, por ordem do tirano, numa caldeira de azeite fervente mas, por um milagre, saiu de lá ileso. Incapaz de o ferir no corpo, o imperador desterrou-o para a ilha de Patmos, onde foi obrigado a trabalhar nas minas. Foi ali que ele escreveu o livro de Apocalipse, e teria sem dúvida terminado ali mesmo a sua vida, se não fosse a inesperada morte do imperador, assassinado pelo próprio administrador da sua casa, no dia 18 de Setembro de 96 d.C. Sendo então o apóstolo João posto em liberdade, voltou para Éfeso, onde escreveu a sua história do Evangelho e as três epístolas que têm o seu nome.Parece que ali, como sempre, foi levado em toda a sua vida pelo amor, e quando morreu, na avançada idade de cem anos, deixou, como legado duradouro, este simples preceito: "Filhinhos, amai-vos uns aos outros". Frase simples esta, e pronunciada há muitos anos, mas qual de nós tem verdadeiramente aprendido