Capítulo Um
O PLANO DE DEUS
Leitura da Bíblia: Ef 1:4, 5, 9-11; 3:2, 8, 9, 11; Cl 1:25; 1 Co 9:17; 1 Pe 1:1,2; Rm 8:30; Gn 1:26a, 27; 2:7; Zc 12:1
A revelação divina nos sessenta e seis livros da Bíblia é extremamente profunda. Existem sete pontos básicos nesta revelação profunda. Os primeiros três pontos são o plano de Deus, a redenção de Cristo e a aplicação do Espírito. Esses três pontos envolvem a Trindade divina — Deus, Cristo e o Espírito. O que Deus planejou, Ele cumpriu pela redenção de Cristo. O que Ele cumpriu em Cristo, Ele aplica a nós por meio do Espírito. Os últimos quatro pontos são os crentes, a igreja, o reino e a consumação final e máxima, a Nova Jerusalém. Neste capítulo cobriremos o primeiro item da revelação básica na Bíblia — o plano de Deus.
O BOM PRAZER DE DEUS - O DESEJO DO SEU CORAÇÃO
A Bíblia revela claramente o plano de Deus. A maioria dos cristãos valorizam dois livros entre os escritos de Paulo — Romanos e Efésios. Romanos começa com a nossa condição como pecadores, gênero humano caído, mas Efésios inicia levando-nos para dentro do coração de Deus. Em Romanos 1 podemos ver a nossa condição de pecadores, mas em Efésios podemos ver que há alguma coisa no coração de Deus. A palavra beneplácito é usada duas vezes neste capítulo (vs. 5 e 9). Deus tem um beneplácito, e esse bom prazer é o desejo do Seu coração. Na eternidade passada Deus estava só. Não podemos imaginar como era a eternidade passada, mas Efésios 1 nos diz que antes da criação do universo Deus tinha um desejo no coração. Ele tinha um bom prazer. O que Ele queria pode ser expresso pela simples palavra "filiação" (1:5). Filiação é o desejo do coração de Deus.
Depois de Deus ter feito Adão, Ele disse que não era bom que o homem estivesse só (Gn 2:18). Esta palavra pode ser também aplicada a Deus na eternidade passada. Não era bom que Deus estivesse só. Ele tinha um desejo de gerar muitos filhos. Efésios 1 nos diz que Deus nos predestinou para a filiação. Muitos cristãos podem pensar que a predestinação de Deus é para a salvação; mas de acordo com Efésios, na eternidade passada o primeiro pensamento no coração de Deus não era salvação. Seu pensamento principal era a filiação. Deus preconhecia que Sua criação cairia. Por causa da queda, houve o plano de salvação, de modo que a salvação foi proposta para a filiação. O desejo de Deus é gerar muitos filhos.
Recentemente numa reunião de oração em Irving, Texas, vi três jovens. Ao olhar para a face deles, pude ver que eles eram os filhos de um certo irmão. Todos os três possuem uma forte semelhança com o pai; eles são a sua própria expressão.
Quanto mais filhos um pai tem, mais expressão ele tem. Romanos 8:29 nos diz que o Filho unigênito de Deus tornou-se o primogênito entre muitos irmãos. O Filho unigênito de Deus em João 1:18 e 3:16 tornou-se, por meio da ressurreição (At 13:33), o Filho primogênito. Primogênito implica que outros filhos vieram depois. Agora Deus não somente tem um Filho, mas muitos. O Filho primogênito de Deus, Cristo, tem milhões de irmãos. Ao longo destes vinte séculos muitos têm sido regenerados e, assim, têm-se tornado filhos de Deus. Todos esses filhos são os irmãos do primogênito Filho de Deus (Jo 20:17; Hb 2:10-12). Que filiação enorme!
Quando jovem, estive com alguns santos que conheciam muito bem a Bíblia. Eles enfatizavam a predestinação de Deus, mas nunca os ouvi dizer qual é o alvo da predestinação de Deus. Depois de muitos anos de estudo da Bíblia, vi que nós fomos predestinados para filiação. Subconscientemente eu pensava que éramos predestinados para salvação. Alguns diriam que fomos predestinados para os céus. Não é nem salvação nem os céus o alvo da predestinação de Deus; é a filiação (Ef 1:5).
A versão de João Ferreira de Almeida traduz essa palavra por "adoção de filhos", mas a palavra na língua original significa filiação. Ela não quer dizer filhos adotados por um pai, mas filhos nascidos diretamente de um pai gerador. O desejo do coração de Deus, então, é ter uma grande multidão de filhos que O expressem, não somente nesta era mas também pela eternidade.
O PROPÓSITO DE DEUS - SEU PLANO
Baseado no desejo do Seu coração, Deus estabeleceu um propósito (Ef 3:11). O propósito de Deus foi estabelecido de acordo com Seu bom prazer. Efésios 1:9 diz que Deus propôs Seu bom prazer. Isso significa que, de acordo com o que Ele desejava, Ele fez um plano. Desde que Deus tinha tal bom prazer, Ele fez um plano. Em Efésios 3:11 Paulo nos diz novamente que Deus fez um plano em Cristo, um plano eterno, um propósito eterno.
A ECONOMIA DE DEUS -SEU ARRANJO ADMINISTRATIVO
Economia é uma palavra aportuguesada do grego oikonomia. Ela significa a lei de uma casa, ou administração familiar. Em 1 Timóteo 1:4 essa palavra é usada para arranjo, plano, administração ou gerenciamento. No Velho Testamento a casa de Faraó necessitava de alguma administração familiar ou arranjo, e José foi colocado ali para tomar conta daquela administração. O que ele fazia era principalmente distribuir o rico alimento aos famintos (Gn 41:33-41, 54-57); e aquela distribuição era um dispensar. A administração da casa de Faraó foi uma economia levada a cabo para dispensar as riquezas ao povo. No Novo Testamento essa palavra é principalmente usada por Paulo. Mas a mesma palavra é usada pelo Senhor Jesus em Lucas 16:2-4, referindo-se ao mordomado de um despenseiro. José podia ser considerado como o despenseiro de Faraó, e sua responsabilidade, como sua economia. Aquela atribuição, seu mordomado, era para dispensar a rica comida que Faraó possuía para alimentar os famintos.
Sua Dispensação
Em Efésios, Paulo nos diz que ele foi designado por Deus como um despenseiro, e que, com isso, Deus deu-lhe a responsabilidade, o dever, o qual é chamado mordomado (3:2). A palavra grega para mordomado é a mesma palavra para dispensação. Quer seja ela traduzida por mordomado quer por dispensação, isso depende do contexto. Em Efésios 3:2, Paulo diz que Deus deu-lhe o mordomado da Sua graça. Então, a mesma palavra grega, oikonomia, é encontrada em 1:10 e 3:9, onde parece melhor traduzi-la por dispensação. Esta palavra "economia" denota principalmente um plano, uma administração, um gerenciamento, para dispensar as riquezas de uns para outros.
Paulo considerava que Deus tinha uma grande família para suprir com Suas riquezas. Em Efésios 3:8 ele diz que Deus o designou para pregar, ministrar, distribuir ou dispensar as riquezas insondáveis de Cristo. Essas riquezas estão na casa de Deus. Existe um depósito das riquezas insondáveis de Cristo, e Deus designou os apóstolos (Pedro, João, Tiago e Paulo) para serem despenseiros a fim de dispensar essas riquezas a todo o povo escolhido de Deus.
Mordomado é o mesmo que dispensar. José cumpriu seu mordomado dispensando comida. Sua responsabilidade, seu ofício, seu dever era distribuir a rica comida aos necessitados. Aquela distribuição era um dispensar.
Alguns mestres da Bíblia têm ensinado que existem sete dispensações na Bíblia. No Velho Testamento há as dispensações da inocência, consciência, governo humano, promessa e lei. Então, no Novo Testamento há a dispensação da graça nesta era e a dispensação do reino na era vindoura. Nessas sete dispensações, dizem eles, Deus trata com o homem de sete maneiras diferentes.
Isso pode estar correto, mas não se esqueçam que as dispensações são a administração familiar de Deus. Deus tem uma grande família, e nesta família Ele necessita de uma administração, um plano, um gerenciamento, para dispensar a Si mesmo para dentro de Sua família. O pensamento principal de Deus, desde a eternidade passada, era ter um arranjo ao longo das eras para dispensar-se para dentro de Seu povo escolhido e predestinado. A esses Ele faria Seus filhos infundindo-se para dentro deles para que pudessem ter a vida divina pelo novo nascimento.
Nas catorze epístolas de Paulo podemos ver que Deus tinha um bom prazer, de acordo com o qual Ele fez um plano, um propósito. Ele criou o homem à Sua própria imagem, e na plenitude dos tempos infundiu-se para dentro de todos aqueles criados e escolhidos para que eles pudessem tornar-se Seus filhos, expressando-O. Este é o plano de Deus e esta é a dispensação de Deus para o Seu dispensar.
Em português, as palavras dispensação e dispensar são ambas formas do verbo dispensar. Quando uso a palavra dispensação, quero dizer economia, arranjo ou gerenciamento. Mas, quando uso a palavra dispensar, quero dizer o distribuir das riquezas divinas para dentro do povo de Deus. Dispensação denota o arranjo, o gerenciamento, o plano, a economia. Dispensar refere-se ao distribuir do próprio Deus como vida e suprimento de vida para dentro de Seu povo escolhido em Cristo.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
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